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Neste ensaio pretendo olhar o mundo através de uma janela ampla e panorâmica, abrangente. Um olhar global que coloca fotógrafo e espectador no centro do eixo dos acontecimentos, provocando subjetividade: deste ponto, quem olha, mesmo passivo, é também ator. O extremo da abrangência é toda a periferia, 360°. Este trabalho começa porém somente a partir deste ponto: Na fração mínima e indivisível que está além do círculo completo. Quando o círculo torna-se ciclo, no retorno ao suposto ponto de partida, com o artifício possibilitado pela Larscan, em um átomo temporal, é possível vislumbrar o invisível. Ao ultrapassarmos os primeiros 360° de nosso horizonte deparamos com a percepção do tempo, somos assombrados com a grande questão da vida e da morte que desde sempre promove as pulsões criadoras. Neste instante impalpável e mágico estamos frente a frente com Deus ex-machina. Paradoxalmente encontramos numa fotografia com mais de 360 graus dois instantes, o antes e o depois, simultâneos e distintos. A espiral do tempo é desdobrada. Nesta paisagem o que é movente evidencia o fluir e o que é humano nos comove, não nos deixa escapar o problema. Os corpos dramatizam o devir através de personagens alegóricos, insólitos, inseridos à paisagem.
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